Fonoaudióloga da UNG explica como pequenos hábitos podem prevenir lesões vocais e garantir melhor desempenho
Considerada o principal instrumento de trabalho de professores, cantores, radialistas, jornalistas, advogados e operadores de telemarketing, a voz exige cuidados diários para evitar lesões que podem comprometer a comunicação, o desempenho profissional e, em casos mais graves, provocar sua perda parcial. Segundo a coordenadora do curso de Fonoaudiologia da Universidade Guarulhos (UNG), Priscila Teixeira João, muitos desses profissionais ainda negligenciam hábitos essenciais para preservar a saúde vocal.
“Assim como um atleta precisa preparar o corpo antes de uma competição, quem utiliza a voz intensamente também deve aquecer as pregas vocais antes de iniciar as atividades”, explica.
Entre os erros mais frequentes estão falar por longos períodos sem pausas, ingerir pouca água ao longo do dia, aumentar o volume da voz em ambientes ruidosos e ignorar sinais de fadiga vocal, como rouquidão e esforço para falar. Outro comportamento comum é recorrer a pastilhas para aliviar o desconforto vocal sem buscar orientação profissional. Além disso, a postura inadequada e respiração incorreta também favorecem o surgimento de tensões na musculatura envolvida na produção da voz.
De acordo com a fonoaudióloga, a falta de cuidados pode provocar alterações importantes nas pregas vocais. Entre as principais estão nódulos, pólipos, edema - inchaços - e pequenas hemorragias decorrentes do esforço excessivo, além de rigidez ou cicatrização das pregas vocais, que prejudicam sua vibração. “Quando sinais de cansaço vocal são ignorados, o profissional pode desenvolver um estado crônico, caracterizado por rouquidão persistente. Em situações mais graves, pode ocorrer até a perda parcial ou total da voz”, informa.
Priscila explica que a preservação passa por hábitos que podem ser incorporados à rotina. “A hidratação constante mantém as pregas vocais mais flexíveis e resistentes ao atrito durante a fala. Também é importante evitar pigarrear, substituindo esse hábito por pequenos goles de água”, esclarece.
Respeitar períodos de descanso vocal, manter uma boa qualidade do sono, realizar aquecimento antes do uso intenso da voz e fazer o desaquecimento ao final das atividades são dicas que contribuem para reduzir o risco de lesões. De acordo com a fonoaudióloga, alguns cuidados variam conforme a atividade exercida.
“Para professores e advogados, a recomendação é utilizar microfone sempre que possível, principalmente em ambientes amplos ou com muito ruído, evitando elevar excessivamente o tom de voz. Já para jornalistas, cantores e influenciadores digitais, é importante manter uma rotina de aquecimento, hidratação e desaquecimento vocal. Os cantores também nunca devem iniciar uma apresentação sem aquecer a voz, pois esse cuidado é fundamental para respeitar os próprios limites, evitando forçar notas que ultrapassem sua extensão vocal”.
Para operadores de telemarketing, além das pausas regulares durante a jornada, a postura corporal merece atenção. Manter os pés apoiados no chão e evitar inclinar excessivamente a cabeça para frente ou para trás ajuda a reduzir a tensão sobre a musculatura responsável pela produção da voz. A especialista ainda reforça que a prevenção é sempre o melhor caminho.
“A voz é um instrumento de trabalho que precisa de cuidados diários. Pequenas mudanças na rotina fazem grande diferença para preservar a saúde vocal e garantir a qualidade de vida e o desempenho profissional”, conclui.
Para interessados em entender mais sobre o assunto, a coordenadora do curso de Fonoaudiologia realizará um curso gratuito pelo Projeto Capacita no dia 22 de julho, às 14h na Universidade Guarulhos. As inscrições podem ser realizadas por meio do link https://bit.ly/CAPACITA-UNG- 2026 .Para participar, é necessário doar um quilo de alimento não perecível no dia da atividade.


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